segunda-feira, 1 de julho de 2013

Devaneios

Vai, volta para o mesmo lugar, não sabe o que vai achar...
Voltar, é, já sabemos que voltar não significa que as coisas serão diferentes. Aprendemos que voltando para tentar fazer algo diferente, podemos cair nos velhos erros que já sabem como nos seduzir. Somos fracos, tolos, achamos que nossas mudanças seriam capazes de resistir.
As mudanças que tanto queria por em prática e mais uma vez ficam acanhadas e com medo do que as cercam, preferem deixar a mesmice prevalecer, cometer os mesmos erros bobos, deixar-se iludir.

Os planos. As palavras. Toda vez que tenta fazer algo novo, toda vez que tenta arriscar, que quer fazer algo acontecer você não encontra as palavras que devem ser ditas para sair deste circulo vicioso e enganoso que sua vida se tornou,. Acostume-se, é bem nessa hora que nada acontece, é nessa hora que os olhares se perdem e você não tem coragem, o medo trava sua voz, você se esconde na falsa segurança de um abraço vazio e quando os braços se soltam você volta a si e lamenta não ter falado nada realmente relevante.

Você tem medo, medo de arriscar e perder as migalhas que têm, aquelas que as vezes parece tão pouco e outras vezes parece tanto. Você nem sabe, se contentar com pouco, ficar sem nada...dúvidas que entram em conflito e te calam...
Os sonhos, os rascunhos, a intenção que não se concretiza. E você volta, ou não, fica no mesmo ponto, apenas em uma cidade diferente. Deve ser essa sua gana de viajar, tentar em outro lugar, se afastar, mas quando percebe, volta. Velhos erros, novas pessoas. Novos erros, velhos conhecidos.

Levante-se, desabafe. Escreva. Você não terá coragem de dizer que tudo o que você queria era fazer valer. Valer a tentativa, fazer o que ninguém espera, por um dia, um mês ou quem sabe, uma vida, minha ou sua, que seja efêmera se tiver que ser, mas que seja alguma coisa, ou não seja.

Esporadicidade já cansou. Ser e não ser. Ter e não ter. Querer e esperar coragem para dizer. A caretice de preferir não se comprometer, eu que pensava que era um departamento seu, vejo-me compartilhando dessa filosofia, porém no meu caso, o comprometimento que me aflige é com as verdades que deveriam ser ditas. Eu poderia fazer valer, eu poderia levar um não e seguir sem muitos arranhões, ou poderia cair, engolir as palavras.

Falta alguma coisa, será que falta? Sozinha não consigo achar essa resposta e ninguém tem coragem de me responder.

Continuo com minhas migalhas por hoje, amanhã eu volto, volto pra longe dos seus braços e de seus olhos, me escondo por um tempo, até você sorrateiramente me obrigar a praticar um desapego que eu não queria, conhecer quem não devia e seguir com os velhos erros.