Seria simples se eu não complicasse, seria bem interessante se não fosse a saudade e a ilusão.
Um pão, um café, poucos amigos. Mau tempo, o vento quebra o guarda-chuva, a chuva me molha, os pés ficam gelados e quando chegar em casa, me resta tomar um banho quente e deitar no sofá.
Controle na mão, mudo tanto de canal que nem sei mais o que estava assistindo, presto mais atenção nas propagandas do que naquele tal programa, coisa de quem almeja ser publicitária.
Quando olho o relógio já é meia noite, brindo ao novo dia que começa a meia noite e um, olho pro espelho e falo comigo mesma.
Mas a hora voa são três da matina, melhor tirar um cochilo antes do sol bater na cara, fecho a cortina e encontra os sonhos.
Olha só já são 7 horas, viro pro lado e faço de conta que nunca me atraso, durmo mais um pouco e de repente já são nove horas. Corre infeliz, ninguém te espera, mas quando demora sentem sua falta.
Passo o dia digitando, copiando, colando, e pensando naqueles olhos azuis, ouvindo sem querer sua voz na minha vitrola, sentindo uma saudade que não queria. Sabe aquela risada do novo melhor amigo de infância? Faz eco no ouvido, queria sentar tomar uma gelada e bater um papo bem divertido.
Não agüento as vozes na minha cabeça, tão pouco a solidão que me rodeia, fico cada dia mais louca, migalhas da minha razão se espalham pelos caminhos que passo.
Me roubaram a sensatez, me deixaram no chão, em um quarto fechado, vivendo a vida que sonharam pra eles e eu não aceito mais me esconder, me embriaguei com o medo da repressão, mas agora com as pupilas dilatadas vejo melhor quem eu sempre fui por trás daquela porta.
Não me engano, só engano quem tenta me decifrar. Passo o dia em silêncio, mas não ouse me incomodar, falo alto e perturbo o dobro.
Eu não sei o porque os espasmos continuam, a única coisa que sei é que já é final de ano e ainda não fiz planos....
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